quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Os Essênios e Jesus

Texto de Marcos Paterra

Olá pessoal!

Elaborando algumas pesquisas, achei coisas interessantes sobre Jesus e os Essênios.

Muitos talvez não saibam… Mas os Essênios eram originários do Egito e durante a dominação do Império Selêucida, em 170 a.C, formaram um pequeno grupo de judeus, que abandonou as cidades e rumou para o deserto, passando a viver às margens do Mar Morto e outros locais, na Palestina e no Egito.

A Doutrina do Deserto

Eles respeitavam a vida acima de tudo, escreveram os mais antigos textos bíblicos e influenciaram o cristianismo. Com vocês, os essênios.

Por Rafael Kenski e Duda Teixeira

Em 1923, o húngaro Edmond Szekely obteve permissão para pesquisar os arquivos secretos do Vaticano. Estava à procura de livros que teriam influenciado São Francisco de Assis. Curioso e encantado vagou pelos mais de 40 quilômetros de estantes com pergaminhos e papiros milenares. Viu evangelhos nunca publicados e manuscritos originais de muitos santos e apóstolos, condenados a permanecer escondidos para sempre. De todas essas raridades, uma obra em especial lhe chamou a atenção. Era o Evangelho Essênio da Paz. O livro teria sido escrito pelo apóstolo João e narrava passagens desconhecidas da vida de Jesus Cristo, apresentado ali como o principal líder de uma seita judaica até então pouco comentada – Os Essênios. Szekely não perdeu tempo. Traduziu o texto publicou-o em quatro volumes. Sentindo-se traída pelo pesquisador, a Igreja o excomungou.
Não foi uma punição tão grave. Considere o que aconteceu com o reverendo inglês Gideon Ouseley. Em 1880, ele achou um manuscrito chamado O Evangelho dos Doze Santos em um monastério budista na índia. O texto em aramaico – a língua que Jesus falava – teria sido levado para o Oriente por essênios refugiados.

Manuscrito achado no
Vaticano afirma que Jesus
era essênio e vegetariano

Ouseley ficou eufórico e saiu espalhando que tinha descoberto o verdadeiro Novo Testamento. Afirmava que a Bíblia estava incorreta, pois Cristo era um essênio que defendia a reencarnação e o vegetarianismo. Se hoje essa tese soa estranha, dizer isso na Inglaterra vitoriana do século XIX era blasfêmia da pior espécie. Resultado: os conservadores atearam fogo na casa de Ouseley e o original foi destruído.
O mistério que envolve esses dois textos e o tom místico que os descobridores deram aos seus achados acabaram manchando seu crédito diante dos historiadores. Além do mais, teorias exóticas sobre Jesus é o que não falta. Em 1970, o pesquisador inglês John Allegro, que já havia estudado os essênios, tentou provar que Jesus nunca havia existido e que teria sido uma alucinação coletiva causada pela ingestão de cogumelos. Por motivos óbvios, essa teoria não foi muito bem aceita pelos seus colegas cientistas. Segundo eles, Allegro entendia mais de cogumelos do que de Cristo.
Para os historiadores, os essênios seriam até hoje uma nota de rodapé na História se, em 1947, dois pastores beduínos não tivessem por acidente levado a uma das maiores descobertas arqueológicas do século. Escondidos em cavernas próximas ao Mar Morto, em Israel, 813 manuscritos redigidos pelos essênios a partir de 225 a.C.

O ano 68 da nossa era guardava as mais antigas cópias do Antigo Testamento, calendários e textos da Bíblia. Perto das cavernas, em Qumran, estavam as ruínas de um monastério essênio e um cemitério com cerca de 1200 esqueletos, quase todos masculinos.

O surgimento da doutrina essênia aconteceu em tempos conturbados. Os judeus viveram sob dominação de diversos povos estrangeiros desde 587 a.C., quando Jerusalém foi devastada pelos babilônios, habitantes da atual região do Iraque. Por volta do século II a.C., o domínio era exercido pelos selêucidas, um povo grego que habitava a Síria. A cultura helenista proliferava e a tradição hebraica sofria fortes ameaças. Para recuperar o judaísmo, os israelitas acreditavam na vinda do Messias que chegaria ao final dos tempos para exterminar os infiéis e salvar os seguidores da Bíblia.

Eles possuíam pomares e hortos irrigados pela água da chuva, que era recolhida em enormes cisternas e servia como bebida. Além dela, as bebidas essênias se resumiam ao suco de frutas’ e “vinho novo”, um extrato de uva levemente fermentado. No shabbath, os sectários deveriam passar o dia inteiro em jejum.

•retirado de: www.pentaculos mágicos.com.br
Em abril de 1947, no vale de Khirbet Qumran, junto às encostas do Mar Morto, Juma Muhamed, pastor beduíno da região, recolhia seu rebanho quando ao seguir atrás de uma cabrita desgarrada percebeu que havia uma extensa fenda entre duas rochas.Curioso, atirou uma pedra e ouviu o ruído de um vaso se quebrando. No vaso, encontrou pergaminhos.

Este momento caracterizou-se como um marco para o mundo arqueológico: A Descoberta dos Manuscritos do Mar Morto.

Desde então, a tradução e divulgação do seu conteúdo têm atraído a atenção mundial, e uma grande expectativa tem se instaurado quanto a possíveis segredos ainda não revelados.

O nome Essênios deriva da palavra egípcia Kashai, que significa “secreto”. Na língua grega, o termo utilizado é “therepeutes”, originário da palavra Síria “asaya”, que significa médico.

A organização nasceu no Egito nos anos que precedem o Faraó Akhenathon, o grande fundador da primeira religião monoteísta, sendo difundida em diferentes partes do mundo, inclusive em Qumran. Nos escritos dos Rosacruzes, os Essênios são considerados como uma ramificação da “Grande Fraternidade Branca”.

Segundo estudiosos, foi nesse meio onde esteve Jesus no período entre seus 13 e 30 anos. Alguns estudiosos também acreditam que a Igreja Católica procura manter silêncio acerca dos essênios, tentando ocultar que recebeu desta seita muitas influências.

terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

Por que o Natal é comemorado em 25 de Dezembro?

Parece incrível, mas a escolha da data não tem nada a ver com o nascimento de Jesus. Os romanos aproveitaram uma importante festa pagã realizada por volta do dia 25 de Dezembro e "cristianizaram" a data, comemorando o nascimento de Jesus pela primeira vez no ano 354. A tal festa pagã, chamada de Natalis Solis Invicti ("nascimento do sol invencível"), era uma homenagem ao deus persa Mitra, popular em Roma. As comemorações aconteciam durante o solstício de inverno, o dia mais curto do ano. No hemisfério norte, o solstício não tem data fixa - ele costuma ser próximo de 22 de Dezembro, mas pode cair até no dia 25. A origem da data é essa, mas será que Jesus realmente nasceu no período de fim de ano? Os especialistas duvidam. "Entre os estudiosos do Novo Testamento e das origens do cristianismo, é consenso que ele não nasceu em 25 de Dezembro", afirma o cientista da religião Carlos Caldas, da Universidade Mackenzie, em São Paulo. Na Bíblia, o evangelista Lucas afirma que Jesus nasceu na época de um grande recenseamento, que obrigava as pessoas a saírem do campo e irem às cidades se alistar. Só que, em Dezembro, os invernos na região de Israel são rigorosos, impedindo um grande deslocamento de pessoas. "Também por causa do frio, não dá para imaginar um menino nascendo numa estrebaria. Mesmo lá dentro, o frio seria insuportável em Dezembro", diz Caldas. O mais provável é que o nascimento tenha ocorrido entre Março e Novembro, quando o clima no Oriente Médio é mais ameno.

Mundo Estranho

Quando e por que o Papai Noel passou a simbolizar o Natal?

O mito do bom velhinho foi inspirado em São Nicolau, um bispo católico que viveu no século 4 na cidade de Mira, actual Turquia. "Ele ficou conhecido em todo o Oriente por sua bondade e pela atenção com as crianças", afirma o frei Luiz Carlos Susin, professor de teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Diz a lenda que Nicolau presenteava as crianças no dia de seu aniversário, em 6 de Dezembro. Nos séculos seguintes, o mito se espalhou pela Europa e a data da entrega de presentes acabou se confundindo com o nascimento de Cristo. "Quando a história chegou à Alemanha, no século 19, o velhinho ganhou roupas de inverno, renas, um trenó de neve e uma nova casa: o Pólo Norte", afirma Luiz.

Nessa época, Noel ainda era representado como um homem alto e magro com roupas que variavam de cor - dependendo do relato, elas eram azuis, amarelas, verdes ou vermelhas. A silhueta rechonchuda, o rosto barbudo e os trajes vermelhos que conhecemos hoje apareceram pela primeira vez na revista americana Harper’s Weekly, em 1881. A figura, desenhada pelo cartoonista Thomas Nast, sofreu uma nova transformação em 1931. Na criação de um anúncio para a Coca-Cola, o desenhista Haddon Sundblom acrescentou um saco de presentes e um gorro ao personagem. A série de comerciais que mostrava Noel metido em situações engraçadas para entregar seus brinquedos rodou o mundo, popularizou essa imagem e, claro, turbinou as vendas do refrigerante.

O nome Santa Claus, como Noel é conhecido em inglês, é uma adaptação de Sinter Klaas, forma como São Nicolau era chamado pelos holandeses, que levaram suas tradições natalinas para colónias na América no século 17 (entre elas a região da cidade de Nova York). Já por aqui, a origem da expressão "Papai Noel" tem raízes no idioma francês, no qual Noël significa "Natal". Ou seja, no Brasil, o bom velhinho ganhou um carinhoso nome que significa literalmente "Papai Natal".

Lar gelado

Finlandeses dizem que o bom velhinho mora na Lapónia

A lenda de que Noel vivia no Pólo Norte, onde comandava sua oficina de brinquedos, serviu para os finlandeses estimularem o turismo local. Na década de 1950, o governo construiu uma vila de madeira na cidade de Rovaniemi, na região da Lapónia, que acabou se tornando o lar oficial do Papai Noel. Quem decide enfrentar o rigoroso inverno Árctico pode entregar seus recados pessoalmente a um duplo do bom velhinho, que recebe aproximadamente 700 mil cartas por ano - quase todas, é claro, com pedidos de presentes.

Mundo Estranho

Qual é a origem da árvore de Natal?

Enfeitar árvores, é um ritual antiquíssimo, presente em praticamente todas as culturas e religiões pagãs, para celebrar a fertilidade da natureza. Os primeiros registos de sua adopção pelo cristianismo vêm do norte da Europa (terra dos pinheiros, a árvore de Natal clássica), no começo do século XVI - mas tudo indica que, a essa altura, já era uma tradição medieval. No antigo calendário cristão, o dia 24 de Dezembro era dedicado a Adão e Eva, cuja história costumava ser reencenada nas igrejas. "O paraíso era representado plasticamente por uma árvore carregada de frutos, colocada no meio da cena teatral", afirma o teólogo Fernando Altermeyer, da PUC-SP.

As pessoas, então, passaram a montar essas alegorias em suas casas, com árvores cada vez mais decoradas: de velas (simbolizando a luz de Cristo), estrelas (alusão à estrela de Belém) e rosas (em homenagem à Virgem Maria) até hóstias (pedindo perdão pelos pecados). Nos séculos XVII e XVIII, o hábito se tornou tão popular entre os povos germânicos que eles mesmos o creditaram a seu maior líder religioso, Martinho Lutero (1483-1546), fundador do protestantismo. A árvore de Natal só se difundiu pelo resto do planeta a partir de 1841, quando o príncipe Albert (1819-1861) - esposo alemão da rainha Vitória - montou uma delas no palácio real britânico. Na época, o império vitoriano dominava mais de meio mundo e o costume logo se tornou universal.

Mundo Estranho

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

O raio X dos maias

Eles já haviam entrado em declínio quando os espanhóis chegaram. Hoje, os arqueólogos se esforçam para criar um retrato fiel da civilização que, por sete séculos, foi uma das mais desenvolvidas do Ocidente

por Tiago Cordeiro

Em 1511, um navio espanhol com 15 homens e duas mulheres naufragou no norte da península de Yucatán, perto da atual cidade mexicana de Cancún. Seus tripulantes, que pretendiam ir para Cuba, foram capturados pelos misteriosos moradores da região. Acabaram distribuídos como escravos entre os vários chefes locais – muitos foram sacrificados aos deuses. Seis anos depois, o explorador espanhol Francisco Hernández de Córdoba chegou à mesma região, que ele acreditava ser uma ilha. Chegou ali com 110 homens, em três navios.

A expedição de Hernández encontrou três grandes cidades, todas habitadas por um povo desconhecido dos espanhóis. Foi o suficiente para impressionar os europeus, que ainda não tinham visto nenhum grande conglomerado urbano nas Américas. Ecab, a primeira das cidades encontradas, foi apelidada de “El Gran Cairo”, numa referência à capital egípcia. No começo, apesar das diferenças lingüísticas e culturais, os exploradores foram bem recebidos. Isso mudou quando Hernández e seus homens chegaram a Champotón, na costa oeste da península. Atacados pelos nativos, liderados por Mochcouoh, muitos espanhóis morreram. Os poucos sobreviventes bateram em retirada. Muito ferido, Hernández morreria ainda em 1517. Mas a descoberta dos maias estava oficialmente feita.

As comunidades pelas quais passou a expedição de Hernández faziam parte do que restava de uma complexa sociedade que, durante 700 anos, dominara a América Central. Os maias haviam criado gigantescas cidades, com pirâmides e observatórios astronômicos. Em algumas áreas do conhecimento, chegaram a avançar muito mais que os europeus. Apesar de ter impressionado tanto os espanhóis, entretanto, os maias do século 16 não formavam mais, nem de longe, a civilização grandiosa de outrora. Uma amostra dessa decadência pode ser vista em Apocalypto, de Mel Gibson, que estreou recentemente nos cinemas brasileiros. O filme foi produzido nas regiões mexicanas de Catemaco e Vera Cruz e é falado em um dos dialetos maias. Em vez de continuar formando um sistema de cidades integradas, os maias viraram habitantes de povoados dispersos – e, muitas vezes, conflituosos.

Para entender a ascensão e o declínio do povo maia é preciso voltar no tempo. É o que alguns dos grandes arqueólogos do mundo estão fazendo hoje, escavando no México e na América Central. Antes, acreditava-se que os maias haviam surgido por volta de 700 a.C. Graças a descobertas feitas em 2004 na Guatemala pela equipe do arqueólogo Arthur Demarest, da Vanderbilt University, sabe-se que, por volta de 1500 a.C., grupos maias já tinham criado estátuas de 5 metros de altura por 3 de largura. Até o ano 200, construíram centros cerimoniais como Uaxactún e Tikal, onde os agricultores se encontravam nos períodos de celebrações religiosas. Nos sete séculos seguintes, eles viveram seu período de maior exuberância, chamado de “clássico” pelos pesquisadores. Levantaram El Petén, ainda na Guatemala, e se expandiram para o oeste, o sudoeste e o norte. Surgiram Palenque, Copán e Piedras Negras, entre outras 40 cidades – boa parte delas no atual território mexicano. O território alcançava os atuais México, Belize e El Salvador e chegou a ter 325 mil quilômetros quadrados de área.

Estruturadas em torno de praças, as cidades tinham ruas de calçadas largas e abrigavam pirâmides de até 45 metros, templos religiosos com abóbadas, palácios com grandes espaços internos, casas de banho e espaços para a prática de esportes. As casas normalmente tinham três quartos seguidos, com a luz entrando apenas pela porta da frente, e a cozinha ao fundo. A água vinha de poços, graças a um sistema intrincado de irrigação.

Em novembro de 2006, o pesquisador japonês Takeshi Inomata divulgou a tese de que os maias usavam suas praças centrais como grandes anfiteatros, onde eram apresentados espetáculos que tratavam das divindades e reforçavam o poder da elite local. Apesar de nunca terem formado um império unificado, as grandes cidades maias mantinham uma organização política parecida: a maior autoridade em cada vila era o halach vinic, que governava em nome de um dos deuses. Seu cargo era hereditário, e cabia a ele escolher, entre os membros da nobreza, os homens responsáveis por comandar os soldados e fiscalizar o pagamento de impostos e a aplicação das leis. Além dos governantes, havia sacerdotes, responsáveis pelos templos, pelas pesquisas astronômicas, pelos tratamentos médicos e pelo ensino. Abaixo deles vinham os guerreiros, os artesãos e os pequenos comerciantes. A base da pirâmide populacional era formada pelos camponeses e pelas pessoas que trabalhavam nas construções. Eram eles que sustentavam a elite.

Nenhuma cidade tinha controle sobre a outra, mas as maiores e mais poderosas usavam o poder militar para conseguir os melhores acordos comerciais. “Os reis podiam se aliar uns aos outros por períodos que podiam variar de um a 200 anos. Essa era uma organização política muito frágil e pouco estável. É por isso que, apesar de terem em comum a língua, os hábitos e a religião, eles nunca foram um único império”, diz o americano Marcello Canuto, professor de Arqueo­logia da Universidade de Yale.

Em nome dos deuses

Até cerca de duas décadas atrás, os maias eram vistos como um povo pacato. Mas a arqueologia acabou descobrindo que eles faziam sacrifícios sangrentos, com direito a cerimônias em que as vítimas eram arremessadas vivas dentro de poços. Achou cruel? Bem, as alternativas não eram lá muito melhores: era comum que o sacerdote arrancasse o coração das pessoas ainda batendo ou as esfolasse para vestir sua pele. Toda essa carnificina tinha uma explicação simbólica: os maias acreditavam que o homem faz parte de uma terceira geração de seres humanos, feita a partir do milho. As duas anteriores, construídas com barro e depois com madeira, teriam sido destruídas por dilúvios, um de água e outro de lava. Para evitar destino parecido, era preciso agradar os deuses constantemente com oferendas valiosas – e nada era mais valioso que o sangue humano.

Os maias acreditavam em 13 deuses que habitariam 13 diferentes camadas celestes. Haveria ainda outros nove deuses, moradores de nove mundos subterrâneos. Essas divindades não eram exclusivamente boas ou más, mas algumas ajudavam mais os seres humanos que outras. Ah Puch, por exemplo, é o temível deus da morte, e Camazotz, com sua forma de morcego, é um de seus demônios. No lado mais amistoso do panteão, Chaac é o responsável pelas chuvas, e o deus em forma de cobra Gucumatz é responsável pela criação de novos seres.

Mas a relação dos maias com os deuses ia além dos cerimoniais violentos. Essa devoção acabou dando impulso para que uma ciência se desenvolvesse: a astronomia, usada para entender melhor o ciclo da vida, criado e mantido pelas divindades. Um dos observatórios mais importantes, o de Caracol, nas ruínas de Chichén Itzá, ainda está em ótimo estado. A observação dos astros levou os maias a criar um calendário dividido em 18 meses de 20 dias e mais um mês curto, de 5 dias. A cada 52 anos era celebrado um mês extra de 13 dias e a cada 3172 anos havia um ano 25 dias mais curto. Pode soar muito complicado, mas, na ponta do lápis, essa organização fazia com que o ano maia tivesse 365,242129 dias. Isso é incrivelmente próximo do calendário astronômico, que possui 365,242198 dias. Até 1582, a Europa usava um calendário bem menos preciso, de 365,25 dias.

Os maias ainda conheciam bem os ciclos da Lua e estimavam que o ciclo de Vênus tinha 584 dias de duração (um dado muito próximo do hoje considerado real: 583,92 dias). Para sustentar o conhecimento da astronomia, eles desenvolveram a matemática, que incluía o conceito de zero já no ano 325 – os europeus só passariam a adotá-lo em suas contas a partir do século 12. O sistema de numeração maia tinha base 20 e era representado por pontos e barras.

Ao lado de toda essa matemática, os maias desenvolveram a linguagem escrita mais completa de toda a América pré-colombiana. Ela era composta por mil diferentes caracteres, representando sons e símbolos. Além de ser entalhados em pedra, os textos eram pintados sobre cerâmica ou códices (placas feitas de fibras vegetais, recobertas de resina e cal – dobradas, ficavam com uma forma parecida com a de nossos livros). Nos últimos cinco anos, conforme novas inscrições vêm sendo encontradas, o número de caracteres traduzidos saltou de 180 para 500.

Em 2001, a equipe de Arthur Demarest descobriu novos degraus da pirâmide de Dos Pilas, na Guatemala. Eles estavam soterrados, mas apareceram graças à destruição causada por um furacão. Nos degraus, estavam gravados hieroglifos que contam a história de uma guerra entre duas cidades-estado, Tikal e Calakmul. Esses textos forneceram uma nova informação: o rio Usumacinta, que nasce na Guatemala e desemboca no golfo do México, facilitou o comércio entre os maias e possibilitou o surgimento de várias cidades. Mas, afinal, por que elas teriam entrado em decadência?

Apocalipse na América

Embora ainda haja muitas perguntas a ser respondidas, a estrutura política centralizada em torno de uma pequena aristocracia improdutiva pode ter acelerado a decadência dos maias. Os achados arqueológicos indicam que, a partir do ano 900, suas principais cidades foram abandonadas. Sabe-se que a área foi assolada por longos períodos de seca. De acordo com o geólogo David Hodell, da Universidade da Flórida, entre os anos 700 e 900, a região dos maias experimentou as maiores estiagens em 7 mil anos. Mas não há sinais de que a seca tenha provocado mortes em massa. O mais provável é que os camponeses tenham abandonado as cidades e se retirado para regiões mais isoladas, onde viveriam do que plantavam, sem prestar contas a reis nem sustentá-los. Vários indícios, como templos inacabados e tronos queimados, sugerem que, antes de deixar os municípios, os colonos teriam promovido rebeliões.

Em seu livro Colapso, o biólogo americano Jared Diamond argumenta que a falta de visão de futuro e a ausência de cuidado com o meio ambiente é que teriam provocado o declínio da civilização maia. O antropólogo americano Marcello Canuto pensa de modo parecido. “Os governantes estavam ocupados demais na construção de obras grandiosas e não foram capazes de lidar com as necessidades do povo”, diz o professor da Universidade de Yale. “Em 800 eles estavam fazendo exatamente o mesmo tipo de agricultura do ano 200, mas a população tinha aumentado. Não havia como produzir mais comida para mais pessoas, no mesmo pedaço de terra, sem degradar o ambiente.”

Entre os séculos 10 e 12, os maias registraram um período de renascimento, concentrado na região de Yucatán. Por trás dessa nova fase estava a influência dos toltecas, um povo que viveu entre a península e o território dos astecas. Além de tornar mais sangrentos os rituais religiosos, os toltecas levaram os maias a intensificar o comércio e o intercâmbio com outros povos. Nessa fase, que os estudiosos chamam de “pós-clássica”, a liga de Mayapán, formada por Mayapán, Uxmal e Chichén Itzá, passou a liderar as principais cidades da região. Mas, a partir de 1441, a união se tornou instável e novos conflitos provocaram a dissolução da liga. Quando os espanhóis desembarcaram na península, os maiores centros maias estavam abandonados e as populações sobreviventes estavam constantemente em pé de guerra.

Conquista e resistência

Em plena crise interna, os maias tiveram de encarar a invasão espanhola. Depois da malfadada expedição de Francisco Hernández de Córdoba, em 1517, a Espanha voltou à carga contra os maias. O explorador Juan de Grijalva viajou para Yucatán no ano seguinte, mas recebeu informações a respeito de um outro império a leste, muito mais poderoso – e, principalmente, mais rico em ouro. Eram os astecas. Isso mudou totalmente a estratégia de conquista dos espanhóis: os maias, mais pobres e mais desorganizados, foram relegados a segundo plano – sequer valia a pena investir tempo e pessoal em uma guerra contra eles. Enquanto isso, os vizinhos sofriam as conseqüências.

Em 1521, apenas dois anos depois de sair para sua missão de conquista, Hernán Cortés derrotou os astecas, destituiu e torturou pessoalmente o imperador Cuauhtémoc e arrasou a capital Tenoch­titlán, onde começou a surgir a Cidade do México. Garantido o controle sobre o território e as riquezas astecas, os espanhóis não tiveram pressa em voltar à carga contra os maias. Ironicamente, a falta de ouro e a desorganização política garantiram a eles longevidade muito maior – como não existia um império unificado, as cidades maias tinham que ser derrotadas praticamente uma a uma.

A primeira grande iniciativa de conquista dos maias ocorreu em 1527, liderada por Francisco de Montejo. Depois de massacrar 1200 nativos na cidade de Chauca, suas tropas acabaram expulsas de Yucatán no ano seguinte. Uma nova invasão ocorreu em 1531, mas também acabou em fuga espanhola. Em 1540, Francisco Montejo Filho, que herdara a missão do pai, chegou à península com um grande exército. Seis anos depois, apoiado por alguns chefes locais, declarou vitória na região de Yucatán. Mais ao sul, entretanto, os maias seguiram livres. Tayasal, na atual Guatemala, foi o último foco de resistência. Só caiu em 1697.

Os maias foram conquistados, mas não exterminados. “Em uma luta paciente e silenciosa, a cultura maia sobrevive a todas as conquistas e se mantém preservada nos trajes, nas comidas, nas lendas, nas músicas e nas danças”, afirma Mariluci Guberman, do Programa de Pós-Graduação em Letras Neolatinas da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Hoje, 6 milhões de pessoas que vivem em Yucatán e na Guatemala são consideradas maias. Eles falam 25 dialetos diferentes e, em sua maioria, vivem exatamente da mesma forma que seus antepassados: espalhados pela zona rural, vivendo da agricultura e visitando o centro da vila apenas em ocasiões festivas. Acordam às 4 da manhã para trabalhar no plantio, voltam para casa às 19h e dormem às 21h.

As mulheres maias mantêm as roupas tradicionais, com vestidos longos e véus. Produzem tecidos com padrões seculares, herdeiros diretos dos que eram feitos antes da chegada dos espanhóis. A religiosidade politeísta também é mantida, ainda que disfarçada sob os conceitos e santos católicos. Entre as maiores personalidades maias de nosso tempo estão o Subcomandante Marcos, líder do grupo rebelde zapatista da região mexicana de Chiapas, e dois guatemaltecos vencedores do Prêmio Nobel. O primeiro foi Miguel Ángel Asturias, o escritor mais importante da história de seu país, que venceu na categoria Literatura em 1967 (e morreu em 1974). A segunda foi Rigoberta Menchú, que ganhou o Nobel da Paz em 1992 por sua luta pelos direitos dos povos indígenas da América. Ela é um claro exemplo de que, com 4500 anos de história, os maias são muito mais que um grande povo do passado.

Para não confundir

Entenda as diferenças entre maias, astecas e incas

Eles foram uma civilização muito avançada, mas acabaram sendo dizimados pelos espanhóis. Essa definição serviria tanto para maias quanto para astecas e incas, é verdade. Mas há distinções fundamentais entre esses três povos, muitas vezes confundidos entre si. Os mais próximos são os maias e astecas, habitantes da América Central e do atual México. Eles foram precedidos e influenciados pelos olmecas, que viveram nessas regiões até 400 a.C. Os olmecas tinham cidades de até 2 500 habitantes e escreveram o primeiro texto da América, datado de 650 a.C. Eram politeístas, faziam sacrifícios humanos, construíam pirâmides e jogavam futebol com bolas de borracha. Todos esses traços foram herdados por maias e astecas, que chegaram a ser contemporâneos. Os astecas surgiram em 1200, mais de 2 mil anos depois dos maias. Construíram um império cuja capital, Tenochtitlán, tinha 300 mil habitantes no século 16 (era maior do que todas as cidades européias da época, à exceção de Constantinopla). Já os incas são outro departamento. Viveram 5 mil quilômetros ao sul de maias e astecas, na região dos Andes. Dominavam a metalurgia, tinham sofisticadas técnicas agrícolas e usavam a lhama como animal de tração. Surgiram pouco depois dos astecas, em 1300. Como eles, também montaram um império com poder centralizado.

No fim das contas, incas e astecas eram mais organizados e capazes de dominar a tecnologia. Os maias, em compensação, eram muito cultos. “Ao contrário de todos os outros povos da região, eles desenvolveram um sistema completo de escrita”, diz antropólogo americano Marcello Canuto, da Universidade de Yale. “Nosso mundo se apóia na escrita. Por isso, temos um grande fascínio por eles. Não é à toa que Mel Gibson escolheu os maias, e não os astecas ou os incas, para fazer um filme.”

Nativo adotivo

O espanhol que escolheu lutar ao lado dos maias

Membros do grupo que encontrou acidentalmente os maias em 1511, no norte da península de Yucatán, o padre Gonzalo Guerrero e o frei franciscano Gerónimo de Aguilar tiveram a sorte de não serem mortos ou escravizados. Em 1519, o conquistador Hernán Cortés descobriu que ambos estavam vivos, presos em Chetumal, e negociou até conseguir a liberação deles. Só Gerónimo aceitou. Gonzalo quis ficar. “Casei-me aqui, tenho três filhos e sou um cacique maia. Os espanhóis jamais me aceitariam”, teria dito ao ex-colega de cativeiro. Até morrer, em 1531, Gerónimo se tornou intérprete dos espanhóis e ajudou na violenta conquista do México. Já Gonzalo liderou a resistência maia contra os espanhóis em Chetumal até ser morto no campo de batalha, em 1536. Seus filhos com a índia Zazil são considerados os primeiros mexicanos.

Cientistas letrados

Os pontos altos da civilização maia eram a astronomia, a matemática e o alfabeto

De olho no céu

O observatório de Caracol, na cidade de Chichén Itzá, foi construído por volta do ano 1050. O seu nome vem do formato da escada interna que leva ao posto de observação no topo do edifício.

Um dia após o outro

Em superfícies de pedra como esta, os maias usavam símbolos matemáticos para contar a passagem dos dias. O calendário maia era mais preciso que o dos europeus.

Escrituras

Placa de jade feita no século 5 mostra alguns dos mil caracteres do alfabeto maia, o mais completo existente entre os povos da América pré-colombiana.

Mestres das obras

Os suntuosos palácios e as grandes pirâmides maias eram ricamente ornamentados

A cobra que ri

Detalhe de um dos edifícios de Chichén Itzá mostra a cabeça da serpente emplumada, animal mítico que adorna muitas construções da cidade.

Selva de pedra

Palenque é uma das mais belas e monumentais cidades maias. A construção maior era um palácio, terminado no século 8. E a pirâmide foi o túmulo do líder Pacal, morto em 683.

Megacalendário

A pirâmide de Kukulcan, a mais famosa de Chichén Itzá, tem 25 metros de altura e quatro escadarias que, no total, possuem 364 degraus. Somados à cúpula, eles representariam os dias do ano.

Parece que foi ontem

Os maias eram hábeis artesãos e cultivavam hábitos que ainda são comuns na América

Craques na pelota

Assim como os astecas e olmecas, os maias também jogavam futebol, usando bolas de borracha. O artefato abaixo, do ano 590, é uma espécie de placar.

Pausa para o lanche

Algumas comidas típicas do México e da América Central nasceram com os maias. O curioso disco acima, por exemplo, era usado para fazer tortillas. Foi achado em Belize.

Reflexo particular

Encontrados na Guatemala, estes fragmentos compunham um espelho, feito de pirita. Provavelmente era usado por um rei para impressionar súditos.

Beleza real

Esculpida em jade, esta jóia foi achada no túmulo de uma rainha maia. A peça provavelmente era usada como adorno de cabeça, presa a uma coroa ou uma faixa.

Para assistir sem legenda

Expressões em maia-yucateco, o dialeto usado em Apocalypto

• Ahau: deus

• Ah kin: sacerdote supremo

• Balam: jaguar

• Balché: vinho

• Chen: poço

• Chi: boca

• Chicle: borracha natural de mascar

• Copal: incenso

• Halach Uinic: rei

• Kin: sol

• Huipil: o vestido das mulheres

• Milpa: milho

• Nacom: comandante militar

• Pok-a-tok: futebol maia

• Quetzal: ave selvagem sagrada

• Sacbe: pedra usada nas construções

• Tulum: cerca

• Uinal: mês de 20 dias

• Xibalba: o submundo, para onde vão os mortos

Saiba mais

Livros

The Maya, Michael Coe, WW Norton, 1999

Com uma linguagem acessível, o maior especialista do mundo na civilização maia conta a história e as tradições desse povo.

The Fall of the Ancient Maya, David L. Webster, Thames & Hudson, 2002

O antropólogo americano analisa todas as teorias sobre a decadência dos maias, para concluir que ela foi lenta e provocada por uma série de fatores.

Site

www.famsi.org

A página da Foundation for the Advancement of Mesoamerican Studies reúne informações sobre os principais grupos pré-colombianos, em especial os maias.

Imagens da fé

A religião tinha importância fundamental para os maias. No cotidiano e na arte

Minissacrifício

Nem os poderosos estavam livres de oferecer seu sangue para os deuses. O relevo ao lado, do século 8, mostra Xoc, mulher de um líder maia. Ajoelhada num ritual, ela corta sua língua com espinhos.

Medo alado

Encontrada em Copán, Honduras, esta escultura representa Camazotz, o deus em forma de morcego que simboliza a morte e habitaria um dos nove mundos subterrâneos.

Gênese divina

Em 2005, foi descoberto numa caverna de San Bartolo, na Guatemala, um mural que retrata diversos deuses maias. Pintado por volta de 100 a.C., ele mostra a criação do mundo.

O cenário da conquista

Veja onde viviam os maias quando os espanhóis chegaram, no século 16

O início

O primeiro contato entre maias e espanhóis, em 1511, foi perto de Ecab. A maioria dos forasteiros, náufragos, acabou escravizada ou sacrificada.

Recepção feroz

Em Champotón, a expedição do espanhol Francisco Hernández de Córdoba foi atacada em 1517. Ferido, Hernández fugiu com alguns sobreviventes.

Massacre

Em Chauca, as forças do conquistador Francisco de Montejo mataram 1200 maias em 1527. Mas a resistência conseguiu expulsá-lo da península.

Nome estrangeiro

A cidade de T’ho hoje se chama Mérida e é uma das maiores do México. Foi rebatizada por Francisco de Montejo, depois de ser conquistada em 1542.

O fim

Em 13 de março de 1697, Tayasal se tornou a última cidade maia a se render aos invasores espanhóis.

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Como surgiram os naipes do baralho?

Os naipes actuais surgiram de uma mistura das versões espanhola e francesa: os nomes dos naipes vieram do espanhol, mas os símbolos gráficos que os representam são franceses. Até chegar ao baralho actual, de 52 peças, as cartas percorreram uma longa história. Acredita-se que os jogos de cartas tenham surgido na China por volta do século 10. No século 14, as cartas chegaram à Europa levadas pelos árabes, que adaptaram o baralho chinês. O baralho moderno começou a tomar forma no século 16, com o conjunto de 52 cartas criado pelos franceses. Nessa época, vários países da Europa tinham versões locais dos naipes, como os bastões da Espanha ou os pinhões da Alemanha. Como os logotipos franceses dos naipes eram mais simples e fáceis de imprimir, ganharam popularidade e foram adoptados em outras nações. :-S
Baralho actual mistura influências espanhola, francesa e até árabe

BARALHO ESPANHOL

Há 48 cartas, numeradas de 1 a 9, e três figuras: valete (10), cavaleiro (11) e rei (12). Os nomes dos naipes são quase idênticos em português e espanhol: ouros, espadas, copas e bastos (“paus”), representando comerciantes, militares, religiosos e camponeses

BARALHO FRANCÊS

São 52 cartas de quatro naipes. Os nomes originais eram carreaux (“quadrados”, que equivale a “ouros”), pique (“pontas de lança”, nossas “espadas”), coeurs (“corações”, nosso “copas”) e trèfles (“trevos”, nosso “paus”). O cavaleiro foi trocado pela dama.

ÁS

Não se sabe qual foi o primeiro baralho a trocar a carta de número 1 pelo ás, mas muitos acreditam que tenha sido o baralho alemão – no baralho francês, a primeira carta é o 1 mesmo. A palavra “ás” vem do latim e significa “uma unidade”.

JOKER

Há duas explicações para a origem do joker. Uma é o “louco”, carta do baralho italiano sem naipe ou número. Outra versão diz que o joker tem origem inglesa e surgiu no século 19 de uma carta conhecida como “imperial bower”, que vencia todas as outras

CARTAS NOBRES

As figuras existem desde que os árabes incluíram pessoas da corte, como o rei, a rainha e o valete (servo real). Nossas figuras vieram da França (valete, dama e rei, V, D e R no baralho francês), mas usamos as letras do baralho inglês: J vem de jack (“valete”, em inglês), Q de queen (“rainha”) e K de king (“rei”).

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Quais são os principais deuses egípcios?

RÁ-ATUM

Principal deus egípcio, Rá é o responsável pela criação do mundo e representa o Sol. Ele é descrito de diversas formas, desde com a face de uma ave de rapina até como um escaravelho. Os egípcios acreditavam que seu rei (o faraó) era a encarnação de Rá.

OSÍRIS

Descendente directo de Rá (o deus da criação), Osíris é o filho mais velho do casal Geb e Nut. Ele reinou sobre a Terra como o primeiro faraó do Egipto. Isso até ser assassinado por seu irmão Seth. A partir daí, Osíris virou o deus supremo e o juiz do mundo dos mortos.

ÍSIS

Dona de poderes mágicos, protectora e piedosa, a irmã-esposa de Osíris era muito popular - foi a última divindade egípcia a ser adorada na Europa antes da chegada do cristianismo. O rio Nilo nasceu das lágrimas que ela derramou quando Osíris morreu.

SETH

O deus do caos é o responsável pelas guerras e pela escuridão. Matou o irmão, Osíris, mas perdeu a supremacia do Egito para o sobrinho Hórus. Tem a forma do porco-formigueiro – animal raro da África.

NEPHTHYS

No vale-tudo da mitologia, foi irmã-esposa de Seth e de Osíris. Após a morte deste, separou-se de Seth e se juntou a sua irmã Ísis em luto. É associada ao culto dos mortos e mostrada às vezes como uma mulher ao lado de sarcófagos.

HÓRUS

Filho de Osíris e Ísis, tem cabeça de falcão e é o protetor dos faraós e das famílias. Quando perdeu o pai, lutou contra Seth pelo trono de principal deus do Egipto. Após intervenção de Osíris, direto do “Além”, os demais deuses aclamaram Hórus como líder supremo.

HATHOR

A esposa de Hórus é a deusa guardiã das mulheres (especialmente as grávidas) e protetora dos amantes. No Egipto antigo, a vaca era considerada um animal gentil, por isso Hathor era representada com a cabeça ou as orelhas de uma vaca.

ANÚBIS

O deus com cabeça de chacal nasceu da união de Osíris e Nephthys. Foi ele quem criou a primeira múmia, ao preparar o corpo do pai assassinado. Tem papel importante na passagem para o mundo dos mortos.

THOTH

Sua origem é polêmica: alguns textos o apresentam como filho de Rá, outros, como de Seth. Com cabeça de uma ave – a íbis – é o deus da Lua, da sabedoria e da cura. É o patrono dos escribas e trouxe os hieróglifos ao Egito.

BASTET

Ligada à fertilidade, é a deusa da sexualidade e do parto. Após o ano 1000 a.C., sua imagem ganhou a forma de gato – animal que para os egípcios traz boa sorte. É mais uma das filhas de Rá.

SEKHMETH

A poderosa deusa com cabeça de leoa é filha de Rá, mas reflete o aspecto destrutivo do Sol. Foi enviada por Rá para punir os humanos que passaram a adorar um deus em forma de serpente.

O MITO DA CRIAÇÃO

Separação de deuses irmãos marca origem do mundo dos humanos

1. Os primeiros filhos de Rá foram Shu (deus do ar) e Tefnut (deusa da umidade). Como é comum nessa mitologia, os irmãos formaram um casal e tiveram como filhos Geb (deus da terra) e Nut (deusa dos céus). Ao nascer, os netos de Rá se juntaram num abraço, formando outro casal.

2. Rá não gostou muito dessa história e ordenou a Shu que ele separasse os filhos. Este empurrou Nut para cima e pressionou Geb para baixo. Enquanto Nut se tornava o céu que cobre o mundo, Geb virou a terra em que vivemos. E Shu permaneceu entre os filhos, representando o ar que as pessoas respiram.

JULGAMENTO FINAL

O “inferno” para os egípcios era ser devorado por um deus após a morte

1. Toda pessoa ao morrer era recebida pelo deus Anúbis. Ele tinha a missão de pesar o coração dos mortos em uma balança, uma espécie de avaliação de como a pessoa havia se comportado em vida.

2. Após ter o coração pesado, o morto era encaminhado para um julgamento final perante Osíris, que o questionava sobre diversas passagens da vida. Nessa conversa, Osíris podia até aliviar a barra de quem tivesse o coração “reprovado na balança”.

3. Os aprovados viveriam para sempre em um paraíso similar à Terra na companhia dos deuses. Os reprovados eram devorados por Amnut, deusa representada pelos três animais mais temidos no Egito: ela tinha cabeça de crocodilo e corpo com partes de leão e de hipopótamo.